A semana começou com um evento marcante.
Desde que me conheço por gente sou torcedora do Figueira, um time de futebol tradicional da minha cidade. Porém, por ironia do destino, me casei com um homem maravilhoso, mas que não é perfeito, é torcedor do Avaí, o time rival. Isso nunca foi problema para nós, e sim motivo de brincadeiras. Até o dia que o Theo nasceu. E agora? Pra qual time que nosso filho vai torcer?
Uma decisão racional e coerente foi feita assim que ele saiu da minha barriga: É ele quem escolherá. Portanto, se alguém der algum presente de algum time, ficará guardado até que ele tenha condições de decidir pra quem quer torcer. Ok. Combinado.
Combinado nada. A pressão é grande. Afinal, vivo num país ainda muuuito machista, onde é praticamente imposto que o menino torça para o time do Pai! As brincadeiras continuam... Hahaha!
Só que na semana passada, ao abrir a agenda da escola do Theo, fui supreendida pela primeira programação da "Semana da Criança". Segunda-feira: Tradicional sessão de cinema com Pipoca. Traje: Camiseta do time do CORAÇÃO (escrito assim, com letras maiúsculas).
E agora? O Theo tem apenas 1 ano, ainda não escolheu. E tadinho, todos os amiguinhos vão com a camiseta do time do CORAÇÃO, só que ele ainda não sabe qual é o time do seu coração - apesar de ter uma mãe figueirense, e de morar a poucos metros do Estádio Orlando Scarpelli, propriedade do Figueirense Futebol Clube.
Bom, o pai acha que ele não tem que vestir camiseta nenhuma. Mas a mãe tá com pena, não quer que o filho se sinta excluído na escolinha. O quê que ela faz? Acorda bem cedo, coloca o filhinho em cima da motoca e vai dar uma "volta" pelo bairro. Apesar das tentativas, não consegue encontrar uma camiseta do Flamengo, que seria uma boa opção, não ofenderia ninguém (da família)... Não, não foi possível. Então ela volta pra casa com a camiseta do time do Pai do garoto. Azul e branca.
É, tive que ceder as pressões, afinal, menino torce pro time do pai.

Gostaria de terminar esta trágica postagem pedindo perdão a todos os meus familiares figueirenses - com excessão do pai do Theo, da minha mãe, da tia Bugra e das cunhadinhas Priscila e Fabíola, únicos torcedores do Avaí - e a grande maioria dos nossos amigos, que também são do Figueira. Perdão. Foi mais forte do que eu.
Detalhe: Vamos torcer para que o Theo não sofra bullyng, pois é bem provável que ele seja o único avaiano da escola, localizada na nossa rua, a poucos metros do Estádio do Figueirense Futebol Clube.